Governo do Distrito Federal
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13/05/21 às 22h50 - Atualizado em 13/05/21 às 22h50

Medidas para redução das populações de capivaras

O Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis – (IBAMA), por meio da Superintendência do Estado de São Paulo, estabeleceu diretrizes para o manejo de capivaras em áreas de alerta e áreas de risco de febre maculosa (IBAMA, 2008). O Distrito Federal não se enquadra em nenhuma dessas classificações, pois os dados do Sistema de Notificações de Agravos de Notificações – SINAN, em parceria ao Sistema de Vigilância Epidemiológica do Ministério da Saúde, indica que nos últimos 21 anos não houve registros de óbitos relacionados a febre maculosa no DF. Portanto, não há indicação de realização de manejo de capivaras devido a risco á saúde pública no DF.

Apesar disso, é importante conhecer as diretrizes e técnicas de intervenção que visem a redução dos níveis populacionais da espécie nas microbacias afetadas e que tem conhecimento prático de manejo de capivaras para nortear as ações no DF caso a situação epidemiológica do DF se altere ou haja necessidade de manejo nas outras situações previstas na Instrução Normativa IBAMA nº 141/2006.

 

Das diretrizes do Ibama

As diretrizes do Ibama (IBAMA, 2008) ressaltam a importância da multiplicidade de ações para o controle da febre maculosa para além do manejo de capivaras, como o controle das condições ambientais que favorecem a proliferação dos vetores (carrapatos) e controle sanitário dos outros hospedeiros com igual importância na difusão de carrapatos (Ex.: cavalos e cachorros), assim como ações de informação e orientação da população quanto à doença, bem como dos agentes de saúde. Além disso, segundo as diretrizes, a retirada de indivíduos de capivara de regiões afetadas não é eficiente na diminuição dos níveis populacionais da capivara e ainda podem aumentar o risco de transmissão da febre maculosa devido aos aspectos relacionados abaixo:

“(…) 

1) a baixa eficiência do método de captura (atração através de cevas e aprisionamento em bretes ou currais) e a conectividade geralmente existente entre os diversos fragmentos de habitat, estabelecida pelas coleções hídricas, o que possibilita a reintrodução, impedem a realização de retiradas totais;

2) as retiradas parciais possibilitam, além da entrada de outros grupos na área em questão, o crescimento da população remanescente através do aumento da taxa de natalidade, dada a maior disponibilidade de recursos e consequente redução de competição entre os indivíduos; e

3) o crescimento da população de capivaras e a reintrodução poderão ocasionar o aumento do número de animais suscetíveis à Rickettsia rickettsii (bactéria que causa a FMB), se esta estiver presente no ambiente, e consequentemente o aumento do risco de contaminação de carrapatos.

(…)”

Por esta razão,  recomenda-se que, quando necessário, sejam adotadas, prioritariamente, alternativas voltadas ao controle populacional por meio da adequação ambiental ou o manejo do habitat.

 

Adequação ambiental

A adequação ambiental refere-se à preservação e restauração das Áreas de Preservação Permanentes (APPs) e demais áreas protegidas. São medidas voltadas ao controle e prevenção dos graves desequilíbrios ambientais que podem alterar a dinâmica populacional natural das capivaras. Tais medidas, cuja aplicação depende de uma ação eficaz do Poder Público e participação da população, decorrem, em larga escala, da legislação que regulamenta o uso das Áreas de Preservação Permanente e podem ser atreladas a três diretrizes básicas:

1. Intensificação das ações de controle e fiscalização no que diz respeito às ocupações irregulares das Áreas de Preservação Permanente dos corpos d’água.

2. Fomento aos programas de restauração das matas ciliares.

3. Reavaliação dos critérios para o licenciamento de empreendimentos em áreas de mananciais e de emissão de outorgas para a formação de lagoas e reservatórios artificiais, de maneira a considerar a fragmentação das matas ciliares e os possíveis desequilíbrios da fauna.

 

Manejo do habitat

De abrangência menor que a adequação ambiental, o manejo do habitat consiste em modificações do ambiente que visem seu enriquecimento ou sua adequação à situações de interesse. No caso da capivara, o manejo do habitat consiste na manipulação da quantidade e da distribuição dos recursos necessários e limitantes à ocorrência da espécie, como alimento, água e espaço.

Através da manipulação do habitat, pode-se reduzir a capacidade de suporte para os grupos de capivaras residentes em determinada área, fazendo com que a população passe a flutuar em densidades menores às existentes. O manejo do habitat pode implicar em recuperação da mata ciliar, retirada de um item alimentar ou na colocação de barreiras físicas (cercas vivas, alambrados) limitando o acesso dos animais a um determinado recurso. É importante salientar que, dada a participação da capivara no ciclo da FMB, as decisões a respeito do manejo do habitat deverão ser tomadas ouvindo-se especialistas da área sanitária.

Etapas para o manejo da habitat da capivara. Fonte: IBAMA, 2008

 

Referências Bibliográficas

IBAMA, 2008. Diretrizes referentes ao controle da capivara e o controle da Febre Maculosa Brasileira.

Disponível em: http://www.saude.campinas.sp.gov.br/saude/doencas/febremaculosa/Diretrizes_IBAMA_capivaras_e_FMB.pdf

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