Biodiversidade do Cerrado
O Bioma Cerrado abrange 13 estados brasileiros, em uma área de cerca de 200 milhões de hectares, sendo a savana mais rica em diversidade do mundo e o segundo maior Bioma do país. Posicionado na região central no país, faz limite com a Mata Atlântica, a Floresta Amazônica, a Caatinga e o Pantanal. O Cerrado é marcado principalmente pelo clima tropical, com uma estiagem que se prolonga por aproximadamente cinco meses. No mês mais seco, a quantidade média de chuva atinge 30 mm, podendo chegar à zero. Sendo uma unidade ecológica típica da zona tropical, possui relações ecológicas e fisionômicas com outras savanas da América Tropical e de continentes como África e Austrália. A paisagem no Bioma Cerrado é composta por um complexo vegetacional que possui alta biodiversidade, com cerca de um terço da diversidade do país.
Muitos fatores podem afetar a distribuição das espécies de plantas no Bioma Cerrado como: o clima; fertilidade e pH do solo; disponibilidade de água; geomorfologia e topografia; latitude; frequência de fogo e fatores antrópicos; além da interação complexa entre eles. A grande variedade desses fatores no Cerrado faz com que este apresente um mosaico vegetacional com várias fitofisionomias, que englobam formações florestais, savânicas e campestres. Ao acompanhar a variação fitofisionômica, a vegetação do Cerrado apresenta uma alta riqueza florística, com cerca de 6.600 espécies em sua flora. Cerca de 40% das espécies arbóreas são endêmicas, mas também ocorrem espécies arbóreas compartilhadas com outros Biomas, assim como espécies típicas de Cerrado sensu stricto que podem ser encontradas em outros ecossistemas.
Originalmente, o Bioma Cerrado ocupava cerca de 23% do território brasileiro estendendo-se desde o planalto central brasileiro, passando pela Amazônia, parte do nordeste, até pequena porção da região Sul. Até a década de 60, a região do Cerrado era considerada como marginal para a agricultura intensiva. Sua ocupação foi motivada principalmente pelas mudanças na estrutura rodoviária iniciada com a implantação de Brasília e pela criação do Programa de Desenvolvimento do Centro-Oeste (Polocentro) na década de 70, que levou a uma intensa migração em busca de terras a custos mais baixos em relação ao sul do país e incentivos fiscais para abertura de novas áreas agrícolas.
Como resultado dessa política, grandes áreas de Cerrado foram desmatadas, sendo o Bioma Cerrado atualmente considerado como um dos 25 ecossistemas do planeta com alta biodiversidade ameaçada. As estimativas de áreas degradadas ou em uso no Cerrado são de 50% a 80% do Bioma, sejam elas áreas agrícolas, pastagens ou áreas degradadas sem uso. Mesmo com esse cenário, pouco menos de 4,5% de área do Cerrado está protegido em Unidades de Conservação, o que justifica o título dado de segundo Bioma mais ameaçado do Brasil.
O Cerrado possui função ímpar na preservação da fauna no território brasileiro por encontrar-se encravado na porção central do Brasil e fazer contato com todos os outros biomas do país. Além de servir como corredor de biodiversidade para répteis, anfíbios, mamíferos, aves, peixes e insetos, o Cerrado abriga em suas fitofisionomias campestres, savânicas e florestais altos índices de biodiversidade faunística. De acordo com dados atuais disponíveis, o Cerrado possui 196 espécies de mamíferos (18 endêmicas), 856 espécies de aves (36 endêmicas), 253 espécies de répteis (24 endêmicas), 160 espécies de anfíbios (56 endêmicas) e aproximadamente 780 espécies de peixes. Um dos principais impactos causadores da perda de biodiversidade da fauna no Cerrado é a fragmentação de habitats.
O adensamento populacional e a expansão da agropecuária isolam áreas antes contínuas, impedindo que indivíduos de locais distintos se encontrem e reproduzam. Dessa forma, diminui-se a variabilidade genética das populações, acarretando um aumento na extinção das espécies. A perda de uma espécie da fauna representa uma lacuna na teia da vida. Já os animais desempenham papéis ecológicos importantes, como a dispersão de um tipo específico de semente ou mesmo o controle populacional de espécies animais causadoras de prejuízos à saúde ou a agricultura. Portanto, são de suma importância a criação e manutenção de unidades de conservação, como também de seus corredores ecológicos, para preservar a viabilidade das populações de animais no Cerrado.
O monitoramento de fauna em unidades de conservação é uma iniciativa do Instituto Brasília Ambiental, focada no monitoramento e estudo dos mamíferos silvestres de médio e grande porte no Distrito Federal. O estudo realizado com o uso de armadilhas fotográficas (Câmeras trap) tem como objetivos:
I) caracterizar a fauna de mamíferos de médio e grande porte;
II) avaliar o uso do habitat das espécies monitoradas;
III) subsidiar a elaboração de planos de manejo das unidades de conservação e programas de educação ambiental voltados para a temática.
Desde seu início em 2014, o projeto já registrou diversas espécies, incluindo onças-pintadas e onças-pardas, e tem contribuído com descobertas importantes sobre a riqueza dessas espécies nas Unidades de Conservação. Os mamíferos são considerados espécies-chave na conservação da biodiversidade pois desempenham funções essenciais na manutenção do equilíbrio dos ecossistemas. Os carnívoros podem exercer o controle da distribuição, densidade, e comportamento de suas presas. Os herbívoros podem moldar a estrutura e composição da comunidade de plantas, além de seu importante papel no consumo de frutos e dispersão de sementes.
Com um grande número de espécies classificadas como ameaçadas, em diferentes categorias, é evidente a relevância da mastofauna do bioma Cerrado, assim como, a obtenção de dados sobre abundância e distribuição dos táxons são muito importantes para a avaliação do status de conservação. Um passo significativo para a preservação desses mamíferos foi a publicação da Instrução Normativa Nº 15, de 16 de julho de 2025 que instituiu o Programa de Monitoramento de Fauna com foco em médios e grandes mamíferos. A iniciativa setorial se consolida como uma política pública institucional: permanente e estruturada.
Conheça o Programa de Monitoramento de Médios e Grandes Mamíferos Silvestres do Brasília Ambiental.