Governo do Distrito Federal
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26/03/21 às 18h27 - Atualizado em 31/03/21 às 14h36

GDF promove ações para convivência entre população e capivaras

O Governo do Distrito Federal, por meio do Instituto Brasília Ambiental e da Secretaria do Meio Ambiente (Sema), está desenvolvendo ações para monitorar a população de capivaras na orla do Lago Paranoá, com o objetivo de dar condições para que a convivência entre as pessoas, visitantes do espaço, e esses animais, que encontram lá seu habitat natural, seja a mais harmônica possível.

 

O Brasília Ambiental montou um Grupo de Trabalho (GT) focado em pensar métodos de barreiras que impeçam ou reduzam os acessos das capivaras aos locais mais utilizados pelas pessoas que frequentam a orla, e também os acessos às ruas e avenidas do Lago Sul e Norte. “A medida visa dar segurança as capivaras e evitar desconforto para a população”, explica o biólogo da Diretoria de Conservação e Recursos Hídricos do Instituto e coordenador do GT, Thiago Silvestre.

 

Entre 18 de novembro e 12 de dezembro do ano passado, o GT manteve, em parceria com a Secretaria de Saúde, por meio da Diretoria de Vigilância Ambiental, um questionário online no site do Instituto, para que os frequentadores das regiões administrativas do Lago Sul e Norte colaborassem com informações sobre o avistamento de capivaras na orla e nas regiões urbanas adjacentes.

 

Segundo Thiago Silvestre, a sondagem foi um sucesso. A meta eram 100 respostas e foram obtidas 206 respostas. A consulta revelou, entre outras questões, que a maioria das pessoas sempre avista agrupamentos de mais de dez capivaras. A maior parte desses agrupamentos foi avistada na orla ou na APP do lago, no gramado, e a população ficou dividida entres os aspectos positivos e negativos da presença desses animais.

 

O relatório desta sondagem já está pronto. “Vamos selecionar alguns tipos de barreiras e encaminhar para o Ministério Público. O MP vai fazer uma análise das nossas sugestões, retornar para o órgão ambiental, e iremos a campo para fazer os testes. Baseado nos resultados desses testes será verificado qual barreira a ser implantada”, explica Thiago Silvestre.

 

O Secretário Geral do Brasília Ambiental, Thúlio Moraes, ressalta que a implantação das barreiras é o primeiro passo para delimitar a zona de uso por parte dos animais silvestres. “Quando as barreiras estiverem devidamente instaladas, espera-se que seja cada vez mais raro o encontro entre humanos e capivaras na Orla do Lago. Esse estabelecimento espacial também irá viabilizar a elaboração de um protocolo de ação mais efetivo sempre que alguma capivara for avistada fora dessas áreas. Tudo isso com a finalidade de propiciar a convivência harmônica entre humanos e capivaras”, ressalta.

 

Monitoramento – A Secretária de Meio Ambiente (Sema), em conjunto com a Universidade Católica de Brasília (UCB), está desenvolvendo o projeto Identificação e Monitoramento da População de Capivaras na Orla do Lago Paranoá. O projeto é uma demanda do secretário do meio ambiente, Sarney Filho, que vem sendo tratada desde 2019, mas que sofreu atraso em virtude da pandemia.

 

“O projeto visa conciliar o uso do espaço público, unindo a conservação de animais silvestres e o lazer dos cidadãos. Para formular políticas públicas eficientes, decidimos financiar uma pesquisa científica, que nos trará informações idôneas, e investir em educação ambiental”, explica Sarney Filho.

 

A chefe da Assessoria Estratégica da Sema, Suzzie Valladares, ressalta que contou com a ajuda de vários pesquisadores para desenvolver um projeto que abarcasse a demanda de toda a sociedade, com o objetivo de entender o que está acontecendo com a população de capivaras do DF.

 

O projeto de pesquisa vai buscar respostas para questões como: a população de capivaras do DF tem aumentado ou não? Em caso afirmativo, esse aumento é muito ou pouco? Ou o que de fato acontece é que as pessoas estão usando mais o habitat desses animais devido à desocupação da orla, e na verdade, estão apenas visualizando mais o que já existia? Ou as capivaras apenas mudaram de lugar por se sentirem mais livres em função de não terem mais cercas?

 

Com duração prevista de um ano, o projeto vai dizer o tamanho da população atual, qual o estado de saúde aparente e o estado de conservação do habitat. Fará a leitura e a tradução para o cidadão comum de trabalhos científicos que já existem sobre as populações de capivaras, principalmente, as do DF relacionados às doenças (zoonoses). E ainda produzir informação de educação ambiental e comunicação científica para a população do DF.

 

Educação – Recursos do Fundo Único do Meio Ambiente (Funam-DF) serão destinados para ações de educação ambiental voltada à população frequentadora dos espaços da orla do lago Paranoá.

 

O lago Paranoá se insere em uma Área de Preservação Permanente (APP), que tem, principalmente, uma função ecológica, na qual se insere evitar o assoreamento do lago e garantir o fluxo das espécies nativas, e dentre essas a mais notória é a capivara. “A capivara vive em ambientes próximos às áreas alagadas, e precisa de pastagens para se alimentar. Então, é perceptível que aquela é uma área ideal pra ela e é o habitat natural dela. Com a retirada das cercas, elas agora podem circular com mais tranquilidade e escolher quais são as áreas que para elas são melhores para habitarem”, lembra Suzzie Valladares.

 

Thiago Silvestre enfatiza que o lago Paranoá recebe afluentes, um deles nasce dentro do Parque Nacional de Brasília e vai desembocar no Córrego do Bananal. Isso quer dizer que a fauna do Parque Nacional vem para o lago Paranoá e vice-versa. “O lago recebe diversos animais silvestres como capivara, jacaré, lontra, peixes, além do afluente que vem da APA Gama Cabeça de Veado. As pessoas precisam entender que as populações de capivaras e outros animais no lago Paranoá serão sempre recorrentes. E não há uma solução para afastar as capivaras das pessoas. O objetivo do nosso trabalho é conscientizar as pessoas de que é necessário e possível a convivência harmoniosa com esses animais”.

 

Uma outra ação que os órgãos ambientais vão fazer é ampliar o GT do Brasília Ambiental. Ele passará a ser interinstitucional, e deve contar com técnicos da Sema e da Diretoria de Vigilância Sanitária da Secretaria de Saúde. A intenção é que o trabalho seja conjunto para, assim, ter resultados mais efetivos.

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