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Desenvolvimento Sustentável

Bety Rita Ramos*

 

Quando o meio ambiente começou a dar sinais de estar ficando doente, revelando, por exemplo, rios poluídos, lixo contaminando solos e recursos hídricos, florestas reduzindo de tamanho, espécies de fauna e flora em extinção, entre outros sinais, a humanidade não teve como fugir à reflexão de seus atos. Então, por volta da metade do século XX, “começaram importantes debates teóricos acerca da relação entre desenvolvimento e sustentabilidade”, como lembra-nos o artigo Sociedade e Biodiversidade na Mata Atlântica, de Felisa Anaya, Rômulo Barbosa e Cristina Sampaio.

 

A discussão sobre o que é desenvolvimento sustentável, a noção e a popularização desse termo se deu, com mais ênfase, a partir da conferência das Nações Unidas sobre Meio Ambiente, ocorrida no Rio de Janeiro, em 1992. Evento que ficou conhecido como Eco-92. O tema passou a ocupar espaço nas agendas governamentais nacionais e internacionais.

 

Os autores do citado artigo lembram que Stahel (1998) afirma que o conceito de desenvolvimento sustentável foi rapidamente assimilado pelo debate ambiental, seja nas instâncias oficiais, seja no movimento ecológico. Porém, elas ressaltam que ainda não há consenso quanto ao seu significado.

 

Segundo os autores, a noção de sustentabilidade, que orienta as análises de continuidade, durabilidade dos recursos naturais, culturais, étnicos, insere-se, necessariamente, num terreno de concepções variadas, de disputas sobre formas e estratégias de sua promoção, tendo como locus principal a esfera política, onde são decifradas e implementadas as políticas públicas.

 

Dissertando sobre o uso da biodiversidade brasileira, Ana Maria Fávia Ferro, Maria Beatriz Bonacelli e Ana Lúcia Assad, fazem o link de desenvolvimento sustentável com a manutenção e a disponibilidade dos recursos naturais no meio ambiente. Ressaltam o uso racional dos recursos de modo a evitar riscos de extinção. Esse seria o caminho para o meio ambiente deixar de ser um fator onerante para a economia e passar a ser fonte de oportunidades econômicas.

 

Diversos autores, como Leff, por exemplo, defendem, para uma estruturação de fato de um desenvolvimento sustentável, desde a discussão de seus conceitos até a sua prática, a necessidade da valorização dos saberes dos povos das florestas, das populações tradicionais, do conhecimento natural e original de quem, efetivamente, vive o e no meio ambiente (entendendo-se aí meio ambiente como espaços não urbanizados). Segundo esses estudiosos, não seria possível um modelo de desenvolvimento sustentável sem esse processo compartilhado de construção do saber que leve em conta, tecnologia, ciência e saberes de todos os atores sociais envolvidos. O que é um grande desafio para os gestores de políticas públicas com vistas ao desenvolvimento sustentável rural e urbano.

 

*É jornalista do Instituto Brasília Ambiental (Ibram)

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